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Boas Práticas - Produtos socialmente justos na Amazônia

[18/08/2010]

Criada a partir da união de pequenos agricultores familiares vindos de todas as partes do Brasil que escolheram fazer da Amazônia o seu lar, a Cooperativa dos Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia (Cooperagrepa) já registra no norte do Estado do Mato Grosso uma nova história, resgatando o equilíbrio ecológico através da agricultura orgânica, da produção e extração sustentável de produtos florestais não-madeireiros e do comércio de produtos limpos, bons e justos.

Localizada no Território Portal da Amazônia, a cooperativa além de produtos que abastecem os grandes centros urbanos, produz alimentos orgânicos para as comunidades rurais e urbanas através da merenda escolar, via Programa de Aquisição de Alimentos, operacionalizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Os produtos também são comercializados em supermercados locais e regionais e através de entregas em domicílio. São mais de 40 tipos, dentre laticínios, frango, mandioca, verduras, doces, frutas, contribuindo para a qualidade de vida do cidadão da Amazônia.

Mobilização e geração de renda -  A história da Cooperagrepa tem seu início com uma forte mobilização por novas alternativas de geração de renda no campo. Impulsionada, inicialmente, pelo setor educacional, através das secretarias municipais de Educação de sete municípios organizados pela Fundação Intermunicipal de Ensino Superior do Norte Mato-Grossense (FIESUN-MT), seus primeiros passos foram a busca de conhecimento de outras experiências protagonizadas por agricultores familiares.

Em 2002, após tomar conhecimento da experiência da Associação dos Agricultores Ecológicos da Serra Geral (Agreco), em Santa Rosa de Lima (SC), a FIESUN/MT, com alguns parceiros (Sebrae, prefeituras, cooperativas, vereadores, agricultores, jornalistas, entre outros), organizou uma “missão técnica” para conhecer a entidade. Os participantes voltaram da missão animados para a implantação de um projeto similar na região.

A partir dessa missão foram realizados vários encontros com agricultores dos municípios até a elaboração dos principais eixos de uma proposta para a organização de um “Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável”. Este  documento compartilhou as ideias dos agricultores, a experiência da Agreco e a análise e sistematização do Sebrae e FIESUN-MT.

A criação da cooperativa

Durante o ano de 2002, na cidade de Guarantã do Norte, mais de 400 agricultores decidiram criar a Agrepa – Associação dos Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia, nome já aprovado em reuniões anteriores. Nessa mesma data foi definida que a sede seria em Terra Nova do Norte, e a criação de uma Comissão Provisória para discutir o Estatuto Social da entidade.

As reflexões e a necessidade de abrangência da entidade – produção, certificação, industrialização e comercialização bem como a análise da legislação vigente, indicaram a necessidade de criação de uma cooperativa. O trabalho de mobilização continuou até a data da criação Cooperagrepa, no dia 20 de agosto de 2003.

A partir de então, com grande apoio do Sebrae, foram definidas uma série de estratégias focadas na produção orgânica certificada, implantação de uma rede de agroindústrias de pequeno e médio porte e comercialização nos mercados institucionais (merenda escolar nas escolas públicas da região de abrangência da Cooperativa) e conhecimento do mercado nacional e internacional de produtos.

Participação no exterior

No ano de 2004, a Cooperagrepa e seus sócios receberam o primeiro Certificado de produtos orgânicos, da certificadora Ecocert Brasil. Nesse mesmo ano, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, a cooperativa apresentou seus produtos certificados na BioFach América Latina, realizada na cidade do Rio de Janeiro e em 2005, participou da BioFach Alemanha.

Na ocasião, os produtos, sobretudo a castanha-do-brasil e o guaraná, fizeram grande sucesso, resultando em contatos com mais de 20 empresas do Brasil e do exterior. Entre as brasileiras, vários supermercados, empórios e lojas especializadas em produtos finos e orgânicos. Importadores da Holanda, Alemanha, Japão e Coreia também fizeram contatos. Só um importador holandês, na ocasião, acabou por fazer um pedido de 20 toneladas de castanha-do-brasil.

Foi também a partir da divulgação e participação da Cooperagrepa nessas duas feiras que teve início os primeiros contatos com a Multikraft – Áustria, empresa parceira na concretização da primeira exportação da Cooperagrepa.

Em 2006, a cooperativa participou como entidade convidada da uma Assembléia Geral da Cooperativa Sem Fronteiras, realizada na Costa Rica, o que resultou na aprovação e filiação da Cooperagrepa como sócia da “Cooperativas Sin Frontera Internacional”.

Atualmente, a Cooperagrepa é sócia-fundadora da “Cooperativas Sem Fronteias – Brasil” e tem na Bioagrepa a marca registrada dos seus produtos.

Núcleos descentralizados

A cooperativa produz cerca de 500 toneladas de alimentos por ano nos municípios de Terra Nova do Norte, Peixoto de Azevedo, Matupá, Guarantã do Norte, Novo Mundo, Carlinda, Alta Floresta, Nova Santa Helena e Marcelândia, na divisa do Mato Grosso com o Pará. A experiência baseia-se em Núcleos de Produção descentralizados, com pequenas e médias agroindústrias, e na certificação dos produtos, que são colhidos, processados e embalados na própria região.

“O importante é que esse desafio de mudar a paisagem do Portal da Amazônia é hoje também um diferencial de mercado. A gente trabalha junto às comunidades, na conscientização do valor dos produtos não-madeireiros e na importância da preservação da floresta para o equilíbrio ecológico”, explica o presidente da Cooperagrepa, Domingos Jarí Vargas.

“O projeto de produção de orgânicos da Cooperagrepa mostra que é possível um novo modelo no Arco da Amazônia, que é hoje uma vitrine para o Brasil e para o mundo. Cada vez mais os consumidores tendem a procurar produtos saudáveis e sustentáveis e eles estão aproveitando esta tendência”, diz o gerente da unidade de Agronegócios e Territórios Específicos do Sebrae Nacional, Juarez de Paula.

Segundo Vargas, a saída para o desenvolvimento sustentável na região passa pela diversificação de culturas, o uso de novas tecnologias e a adoção de sistemas agroflorestais (SAFs), que começarão a ser implementados pela cooperativa.

“Os SAFs trazem todos os conceitos que a gente precisa em termos de prática. Ele garante, ao mesmo tempo, uma diversidade da produção e um aprendizado de como a natureza se reproduz e se organiza”, diz.

Tecnologia - Quem visita as propriedades que integram a Cooperagrepa logo vê várias tecnologias sociais desenvolvidas pelos próprios agricultores. “A tecnologia, para nós, é aquilo que a gente tem à mão ou desenvolve diante de uma necessidade. E o nosso exercício é pensar em tudo ao mesmo tempo, até porque é impossível pensar em uma coisa separada da outra”, explica Vargas.

Um destes “inventores” é o horticultor Francisco de Oliveira, que produz hortaliças orgânicas em Matupá e já utiliza vários defensivos naturais contra pragas, como citronela, alecrim, pimenta, fumo e ainda desenvolveu receitas que borrifa nas plantas. Outra nova prática é utilizada na produção de adubo, cujo processo é a queima parcial da palha de arroz, que fornece fósforo e potássio aos canteiros onde estão plantados alface, rúcula, jiló, couve, cenoura, beterraba, cheiro verde e batata doce.

“O maior desafio é a pessoa se propor a aprender a observar como a natureza funciona. A revolução acontece primeiro na cabeça da gente e então parte para a prática”, complementa o presidente da cooperativa.

Um exemplo de sucesso que teve na união de centenas de famílias a possibilidade de construção de um modelo sustentável de agricultura e a geração de renda através do comércio justo.

Fonte: Com informações da Agência Sebrae


 
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